Fruto crescente

Quando meus olhos são selados pela escuridão, vejo o mundo abrir-se em minha mente. Refaço cada passo, observo cada lacuna, cada virgula, cada entrelinha, cada palavra não dita, cada riso e cada gesto. Deixo-me devanear nestes espaços preencher com meus desejos mais sórdidos de carinho e afeição.

Toda noite me convenço que não devo calcular meus passos, devo ter sabedoria, discernimento e espontaneidade. Lembro que devo assumir minhas responsabilidades, mesmo sem te-las escolhido. Lembro que devo admitir meus erros. Lembro que devo exaltar minhas qualidades e reconhecer meus méritos. Lembro, toda noite, que devo manter a calma e seguir em frente. E lembro, quando a lagrima rola, de que não estou sozinho.

Quando o sol é o oposto busco a luz que há em mim, observo a lua em seu esplendor reflexivo e me comparo a ela, me vejo em pessoas que estão e que passaram. Minha imagem, por vezes, não passa de um mosaico de historias que conheci e vivi – Seria isso o “Ser eu mesmo”? – mas, ainda pensando em Paulo-Lua, observo que sou admirado, que tenho meu charme e meu encanto.

Toda noite, durante meu declínio, sinto-me no ápice. Vislumbro toda minha vida deitada a meu lado, a abraço, a amo, choro e, enfim, durmo.

24 Cr

Quando a libido pela vida acaba,

Tudo torna-se cerco, seco e determinativo

Cada letra, cada palavra, cada instante

A toda hora

Busco o fim de forma passiva.

 

Eu, que outrora fui metal, raio, relâmpago e trovão,

Me sinto oxidado e silencioso

Me vejo a sombra que por vezes condenei.

 

Passo, novamente por uma forja,

Desta vez tentarei temperar-me ao léu

Sem fornalha, sem martelo, sem derreter ou resfriar

Desta vez o plano é seguir em frente,

Expor-me as intemperes e me adaptar a elas

 

Encontrarei, desta vez, o cromo que me falta

E, talvez, enfim torne-me auto-suficiente

A última morada

Na minha casa haviam torres de risos,

Haviam janelas para ver o sol a cada hora do dia

Varandas para contemplar cada fase da lua
Em cada bloco e em cada telha

Haviamos estampado um momento brilhante

Cada centímetro decorado de carinho e respeito

Concretizamos, no castelo, cada teoria

Libertamo-nos de cada elo da corrente que nos prendia no real

Brincamos e deliramos, dançamos e nos deleitamos

Meu mundo renasceu e floresceu no teu

O teu cresceu e prosperou com minha presença

Unimos e evoluímos tudo o que foi possível

Porém, no que pareceu-me um instante,

Despencou, pois o alicerce era nuvem.

Capítulo perdido

Hoje não trago algo novo, venho entregar-lhe mais do mesmo. Venho contribuir com sua baixa capacidade de aceitação e jogo de cintura. Vim redigir para você o meu aceite.

Dentre uma infinidade de palavras e conceitos não fui capaz de selecionar algo para lhe dizer, perdoe este simplório menestrel de repertório fraco. Na noite, quando o momento se excita e enxergamos e partilhamos nossas chamas, quis poder dizer que ficaremos bem, que havia um plano, quis parecer honesto e imprudente.

Desta noite quis fazer a flor que outrora fomos ressurgir, entretanto, houve em mim prudência e amor próprio, houve calma e seriedade, sobriedade, firmeza. Houve em mim o silêncio. E agora haverá novamente.

_ndo

Quantas vidas vivemos enquanto vivemos?

Quantos caminhos trilhamos durante a busca do caminho certo?

Quanto tempo perdemos calculando quanto tempo temos?

Quantos tesouros vilipendiamos para acumular riquezas?

Quantas respostas perdemos de vista enquanto a tudo questionamos?
De tudo não tenho resposta, entretanto levo em mim algumas passagens interessantes:

Vão-se os anéis e ficam-se os dedos

De tudo fica um pouco

Eu passarinho
E para ja: Cama.

E para a manhã: O de sempre.